sexta-feira, 9 de janeiro de 2009

Imensidão Azul (Da série, Temas)


Imensidão azul... Homenagem ao mar e ao Parcel dos Coronéis.

Claudio, veja se gosta...

Mar. Querido mar. Assim, azul e forte.
Bonito, forte e macio, mar.
Por que existes, para mim? E, por que te conheço, tão bem?
Isso é real? Sou peixe, sou humano? Eu sou normal?
Não sei... Isso, eu não sei. Sei que sou molhado.

Preciso da água...
Preciso molhar. Preciso da água, do mar.
Gosto de ver, de sentir e brincar. Gosto do sal. Das ondas.
Gosto do mar, levar, d
entro do peito e coração.
Gosto da imensidão.
Assim, azul... Querida, bela e profunda.
No fundo, bem no fundo.
Onde a luz teima, e insiste, em não chegar, os seres,
iluminados, difusos, são acesos. Diferentes.
São seres mágicos. Queridos.
Criaturas da imensidão. Livres. Soltas.

São habitantes do azul.

Um dia, sem saber muito, porque, resolvi descer. Ir fundo.
Fundo sim. Bem fundo.
Um fundo, muito mais fundo do que havia, até então, experimentado.
Pensei, olhei para o Sol. Me concentrei. Hiperventilei.
Pedi aos céus e, num gesto rápido, respirei e desci. Mergulhei.

Que delícia. Que maravilha. Poder sentir. Poder voar.

Assim, tranquilo, poder voar no mar.
Voar, no céu, do mar azul. Me sinto em casa.
Um ser diferente. Uma beluga, um narval.
Um mamífero desgarrado. Querendo descer.
Querendo, por ali, viver. Querendo sim, existir, por ali.
Nada mais me importava. Queria sentir a delícia do mar, para sempre.
Queria que aquele fosse o meu lar. Queria, mas não tem jeito.
O cordão umbilical, imaginário, me chama.
Primeiramente, com um leve toque nos ombros.
Depois, com um tapinha na cabeça e um puxão de orelha.
Mas, como foi, por mim, totalmente ignorado,
a partir daí, esse “Cordão”, agarrou-se ao meu pescoço e
puxou-me violentamente para a superfície.
Levou-me para fora do mar, dizendo baixinho:
Você, ainda não é peixe. Você ainda precisa respirar.
Gozado, pensei calado. É mesmo... Eu havia esquecido.
Não estava sentindo falta. Afinal, estava tão gostoso, lá em baixo.

Mar... Um prazer assim, feito champagne.
Embriaga. Entorpece. Vicia.
Borbulhas de prazer e arrepios. Vontade, e desejo, de querer mais.
Quem conhece. Quem já entrou, e viveu, no mar, sabe. Entende.
Compreende o que digo.
...
Imensidão azul... Prazer, que não se compra.
Prazer que se descobre com a vida. Com o coração.
Prazer que se descobre com a alma. Que se conquista... E se vive.
Obrigado, meu querido mar, pela alegria e por todo o prazer.
Obrigado, meu querido, por todo esse prazer azul...

Maü Cardoso.

8 comentários:

  1. Tudo isto e muito mais, a temperatura bem gelada , mais fundo mais gelado, e o tesão ,o medo ,o arrepio. De uma coisa eu tenho certeza, se não morrer de morte natural,morrerei no mar.IZ

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  2. Querida IZ, ao invés de falarmos em morte, e em morrer, que tal pensarmos que o mar é um maravilhoso lugar de vida. Que o mar é um ótimo lugar para se viver... Um beijo grande, Maü.

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  3. Solange Leite Macedo12 de janeiro de 2009 11:21

    Querido,

    Lindo gostei muito...Sei que traduz exatamente o que você sente.Beijos Sô

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  4. Querida Sô... Que bom que apareceu e, que bom que deixou um recadinho. Quanto ao texto, você sabe, meus sentimentos em relação ao mar são mesmo, muito profundos... Um beijo grande, Maü Cardoso.

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  5. Querido Maü,Foi assim mesmo esse mergulho? Você nem sentia mais falta de respirar? Fiquei aqui, imaginando...Um beijo grande,Ana

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  6. Querida Ana... Que bom te ver por aqui. Quanto à sua pergunta, sim, foi assim. Já havia tido algumas experiências, anteriores, desse tipo, por conta da hiperventilação. Não sei se você sabe mas, o que nos faz ter vontade de respirar, não é a falta de oxigênio, mas sim, a presença de gás carbônico em nosso corpo. Que, por conta de nossos movimentos, vamos produzindo. Esse gás carbônico então, ao chegar a um limite residual, nos obriga, num jesto involuntário, a respirar. E, por conseqência, inalamos oxigênio, que é vital para nos manter vivos. Existe um equilíbrio determinado pelo seu corpo que diz: Quando o gás carbônico chegar no limite, o corpo também precisará de oxigênio. e isso acontece a cada respiração. Muito bem, só que, ao hiperventilar, na verdade, o que você está fazendo, é mentir para o seu corpo. Quando hiperventila, você está abaixando o nível de gás carbônico de seu corpo. Ou seja, quando a sua reserva, e o seu limite de oxigênio chegar ao fim, você ainda, não sentirá necessídade de respirar, pois seu limite de gás carbônico, ainda, não está tão alto. Entende? Isso pode ser muito perigoso. Isso pode ser fatal. Pois, nesse momento, seu organismo, por uma questão de proteção vital, te desliga. É a chamada "Síndrome do apagamento". Não é demaio. Esse estado, apresenta características únicas. Você apaga. Batimentos cardíacos, são mínimos, consentrados nas partes vitais. Acontece um fechamento da glote. Ou seja, não existe a possíbilidade de você se afogar, nesse momento. O perigo é... Em média, essa síncope, leva de 30 seg, a 1 minuto, para terminar e você voltar ao normal. E, caso isso ocorra além da cota de equilíbrio (em torno do 12 metros de profundidade), a sua tendência é de ir para o fundo e, quando voltar desse apagamento, quase sempre, isso pode ser fatal.
    Na volta do apagamento, o organísmo, joga a sua cabeça para trás violentamente. Para facilitar a entrada de ar pelas vias aéreas. E, uma resipração muito forte irá acontecer. Por tanto, se você estiver no fundo do mar, seu pulmão será inundado e, provavelmente, você irá morrer. A volta do apagamento se dá por conta daquela mínima reserva que foi preservada para te manter vivo, termina e, naquele intante, você precisa sim, respirar.
    Eu sei... Me estendi demais. Mas queria te explicar o que aconteceu. Menti para o meu corpo dizendo que ainda poderia ficar mais no fundo e, quase me dei mal...
    Um beijo, querida Ana...
    Maü.

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  7. Mau...estou aqui a horas lendo seus textos e encantada pela sua sensibilidade e dom...
    Quando penso em você, penso em você no mar...Penso no moço bonito vindo a praia depois de um mergulho, com um rabinho de peixe pra fora...rs! Não sei se você se lembra desse dia, mas eu não esqueço, das poucas vezes que te vi mergulhar...
    Beijos com muitos carinhos e de muitas saudades
    Cacá

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  8. Minhas lembranças do mar, nunca se vão...
    Minhas recordações e memórias, não sei onde estão.
    Que o mar continue...
    E que o barulho, o cheiro e suas ondas, nunca parem e nunca se transformem.

    Maü Cardoso.

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